A crise de comportamento e o momento atual

Sem dúvida, vivemos hoje uma crise e um dos tópicos mais importantes que se deve ressaltar é a falta de confiança no produto nacional gerada por um mercado cada vez mais competitivo e uma formação profissional cada vez mais duvidosa.

Existe outro desafio. As condições internas de nosso país são extremamente desmotivadoras. Os encargos são brutais e a capacidade do governo em evitar a sonegação aumenta dia a dia. Assim sendo, a vida do empresário nacional requer um jogo de cintura e uma capacidade empreendedora inimaginável em um passado recente. A questão então é: Só vão sobreviver as empresas que buscarem se modernizar, não só os seus equipamentos, mas também na sua forma de gerir o seu negócio. Eu, particularmente, tive algumas experiências que chegam a ser cômicas se não fossem trágicas. Conheci parques industriais ultra modernos com uma área comercial que nem é digna de comentário. “Até pouco tempo os clientes vinham sozinhos, mas e agora? Onde eles estão?” Essas foram as perguntas que me fizeram recentemente. Outra: “Será uma crise ou é a China?”

Outra empresa tinha uma excelente equipe de vendas, mas não tinha preço. Tinha qualidade muito acima dos padrões nacionais, tinha prazo e mesmo assim estava a perder mercado. E aí? O que fazer?

A entrada de produtos estrangeiros a preços impensáveis até a pouco tempo aponta, de forma definitiva, a nossa vulnerabilidade. Em minhas andanças pude também perceber que o empreendedor brasileiro é, normalmente, um excelente técnico em sua área de atuação, mas “por vezes” deixa a desejar quando se fala de planejamento e capacitação. Foi-se o tempo em que somente a expertise era necessária para uma empresa progredir. Uma boa visão de mercado, avaliação da necessidade de importar matéria prima, buscar formas de produção mais competitivas são questões de máxima relevância. A expressão, “faço isso há 30 anos e agora querem me ensinar como fazer…” não tem mais espaço em nosso contexto atual. Mudar significa sobreviver.

Outro ponto é que nem todos os profissionais ou empresas que disponibilizam seus serviços seguem um código de ética digno. Por vezes, até acreditam estar capacitados, mas a qualidade entregue deixa muito a desejar e as consequências podem ser bem prejudiciais. Portanto, desenvolver fornecedores se torna, a cada dia, uma necessidade premente. Quando falo de fornecedores, não estou focando somente nos de matéria prima, mas nos de serviços também. Cada vez mais se fundamenta a importância de se ter uma boa estratégia, formas adequadas de implantação, uma boa comunicação e muitas outras necessidades que o cenário atual nos impõe e que antes passavam despercebidas ou eram tratadas como irrelevantes. Hoje, sem dúvida, são questões vitais.

Outra característica de nossa cultura é o valor que se dá a uma indicação. O marketing boca a boca funciona muito bem pelas nossas bandas. Diria mais, um serviço bem feito tem repercussão em qualquer lugar. Esse fato se torna bem visível com o advento das redes sociais e o impacto que tem no desempenho das organizações. Tanto isso é verdade que hoje existem equipes especializadas que fazem este tipo de acompanhamento com o objetivo de salvaguardar o desempenho comercial dos produtos disponibilizados. O marketing boca a boca não é um fato novo, mas a magnitude que alcança com as redes sociais é sim e se deve ter um cuidado bem especial com elas, além de ter custos bem interessantes para o pequeno e médio empresário como forma de divulgação.

Outro dia estava conversando com um consultor, amigo meu, especializado em estratégia empresarial e o tema da conversa foi sobre a abertura de mercado e suas consequências.  Saí deste bate papo com a certeza de que hoje sofremos os impactos lá dos tempos do Collor, quando se discutia o que poderia acontecer. Hoje a gente já sabe. Uma era chegou ao fim. O perfil necessário a um gestor mudou. O governo hoje, provavelmente, ganha mais com a importação do que com a produção interna. Estamos solitários, por nossa conta e risco. Cabe a nós exigir as mudanças necessárias e entender o novo momento que estamos vivendo. Os fantasmas da obsolescência e da ineficiência rondam os nossos profissionais assim como as nossas organizações. Temos ai, mais uma empreitada pela frente: Mudar esta situação ou não mais participar deste novo senário que se consolida a cada dia. Sucesso a todos.

Eduardo01

ENGº EDUARDO IORGOF ROCHA

Engenheiro formado pela Escola de Engenharia Mauá, trabalhou em empresas como Pirelli, SKF e Rolamentos FAG. Atuou como professor universitário na FIG (Faculdades integradas de Guarulhos) nas faculdades de Administração e Ciências Contábeis. Além disso foi como professor no ensino profissionalizante e médio perfazendo uma experiência de mais 10 anos na área. Foi diretor da Agência Digital Lifemotion e hoje é diretor Academia MasterSapiens, especializada em desenvolvimento e formação e Equipes. É estudioso do comportamento humano desde 1981. Fundador do GRAI (Grupo de Relacionamento e Apoio a Industria) que iniciou as suas atividades no CIESP Sul em 2013, hoje expande suas atividades nos demais CIESP´s. Grupo no qual se aprende a fazer negócios, fazendo negócios.

Sem comentários ainda

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Pode usar estas etiquetas HTML e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

News Letter

 
 
 
 
 
 
 

Post – Categoria

Paste your AdWords Remarketing code here