Comportamento, tecnologia e sobrevivência

Outro dia me peguei pensando…  Estava a olhar minha filha escrevendo em seu iPhone e refleti: “Como pode gostar tanto deste bendito Whatsapp?”. Alguns dias depois comprei um smartphone para mim e o instalei. Quando as pessoas perceberam que eu tinha me registrado começou a fluir muitas conversas. Particularmente, sempre achei esse tipo de coisa muito improdutivo, mas os dias foram passando e eu fui mudando a minha opinião. Comecei a marcar reuniões, contatar clientes, discutir assuntos de negócios de uma forma muito mais eficiente que fazia antes. Cheguei ao ponto de passar informações relevantes sobre uma reunião de negócios às 10 horas da noite e antecipar problemas que de outra maneira seria muito difícil. Quando você lida com muita gente, por vezes, passar informações pode ser bastante complicado. Naquela noite, através de um grupo, consegui resolver o que necessitava em menos de dois minutos. Isso me fez conjecturar bastante sobre o assunto. É exatamente isso que busco compartilhar agora contigo.

Este foi um exemplo simples de adaptação seguido de um controle mais eficiente sobre o meio que tive a oportunidade de vivenciar, porém o mundo está mudando tão rápido que uma imensa maioria não está conseguindo acompanhar. A minha geração passou por uma revolução tecnológica gigantesca e eu tive que me adaptar para sobreviver. Hoje vejo muitos de meus colegas de faculdade, que não passaram pelas mesmas dificuldades que tive que enfrentar, entrando em depressão por terem sido demitidos e não poder mais sustentar o nível de vida anterior. Muitos por não terem visto que a vida passou na janela e, como na música “Carolina” de Chico Buarque de Holanda, não perceberam o que estava acontecendo.

Cito este exemplo pessoal, mas pode-se notar este fenômeno de muitas formas, principalmente no âmbito profissional. Conforme já mencionei, trato diariamente com muita gente e começo a perceber uma imensa resistência à mudança. E não falo aqui do público em geral. Falo da elite pensante de nossa sociedade. Industriais e gestores de empresas. Pessoas que deveriam ser a nossa vanguarda. Alguns formadores de opinião, hoje tem uma cabeça extremamente fechada e muito resistente a mudanças. Bem, eu parei de me preocupar com eles, pois, segundo um consultor amigo meu, estes já estão mortos. Se ainda não fecharam as portas isso não tardará. Morreram, porém não receberam a notícia ainda. Atualmente procuro me ocupar mais com aqueles que desejam se adaptar às novas condições do mercado para depois voltar a assumir o controle. Esse público compensa ajudar.

Com o tempo pude perceber que os prestadores de serviços, por via de regra, possuem uma postura menos resistente, enquanto industriais e empresários de empresas tradicionais brasileiras ocupam o topo da lista. Não é à toa que a indústria nacional diminui a sua participação no PIB ano após ano. Sim, temos imensas cargas tributarias, gastos trabalhistas exorbitantes, mercado aberto, falta de incentivo e tudo mais. Porém, culpar os outros nunca resolveu problema algum. Convivendo em condições adversas, teremos que ser ainda melhores que a concorrência para sobreviver. Já pensou nisso?

Os 3 pilares da competitividade são preço, prazo e qualidade. Até a pouco tempo atrás isso bastava, mas… hoje temos uma outra variável a se destacar e a modificar o mercado: O ATENDIMENTO. Comportamento adequado hoje é peça chave para fidelização dos clientes, funcionários e a longevidade corporativa. Outro colega consultor me disse que as duas maiores carências do empresário brasileiro são: Planejamento e capacitação. Como é fácil de perceber, não temos tradição nisso. “Queremos produzir e na sequência a gente corrige.” Será que você já viu este pensamento em algum lugar antes?

Trabalhar em equipe é fundamental para o sucesso nos dias de hoje. Depois de muito sofrimento e desilusão pude compreender que qualquer mudança começa com a alteração do próprio comportamento. Por ter sofrido o problema na própria pele e trabalhar nesta área a quase uma década, posso afirmar que sem uma capacitação adequada isso me parece praticamente impossível de se superar sem ajuda especializada. Torço para que nós brasileiros entendamos, o quanto antes, que se não nos comportarmos como uma equipe, jamais seremos vistos como uma nação séria, lembrando a afamada consideração do general Charles de Gaulle. Porém, enquanto isso, “a gente quer levar vantagem em tudo, certo?

Eduardo01

ENGº EDUARDO IORGOF ROCHA

Engenheiro formado pela Escola de Engenharia Mauá, trabalhou em empresas como Pirelli, SKF e Rolamentos FAG. Atuou como professor universitário na FIG (Faculdades integradas de Guarulhos) nas faculdades de Administração e Ciências Contábeis. Além disso foi como professor no ensino profissionalizante e médio perfazendo uma experiência de mais 10 anos na área. Foi diretor da Agência Digital Lifemotion e hoje é diretor Academia MasterSapiens, especializada em desenvolvimento e formação e Equipes. É estudioso do comportamento humano desde 1981. Fundador do GRAI (Grupo de Relacionamento e Apoio a Industria) que iniciou as suas atividades no CIESP Sul em 2013, hoje expande suas atividades nos demais CIESP´s. Grupo no qual se aprende a fazer negócios, fazendo negócios.

 

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